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"13 Reasons Why", nova série da Netflix, discute as consequências do bullying, machismo e preconceito na adolecência


A Netflix acaba de lançar "13 Reasons Why", série baseada no bestseller "Thirteen Reasons Why" de Jay Asher (publicado no Brasil pela editora Ática). Composta por treze episódios disponibilizados nesta última sexta-feira, 31 de março, a adaptação ficou por conta de Brian Yorkey, vencedor de um Pulitzer e também do Tony Award. Produzida pela cantora Selena Gomez, a história nos coloca como espectadores de uma personagem chamada Hannah Baker, adolescente que comete suicídio e nos conta em retrospectiva os motivos que a levaram a tal ato.

A produção se baseia em quatro pilares: a experiência pessoal da vítima, a reação dos envolvidos, a omissão escolar e o estado de perplexidade, desespero e inércia vivenciado pelos pais, que enfrentam um consequente e silencioso preconceito – poucas pessoas os procuram para dar apoio ou alguma mensagem de condolências após a tragédia.

Hannah Baker era uma adolescente novata em uma escola norte-americana e alvo de situações constrangedoras, provocadas por bullying, machismo e preconceito – práticas discriminatórias enraizadas na sociedade. Como em todo recomeço, ela se desdobra para fazer amizades e construir relações sólidas no ambiente. Após dois anos, no entanto, as tentativas viram frustrações, a rotina se torna mais solitária e ela toma uma atitude extrema: comete suicídio.

Aos poucos, personagens envolvidos com a protagonista são apresentados ao espectador e suas relações são narradas e encaixadas como um quebra-cabeça para nos levar ao desfecho da história. O suspense fica por conta da forma com que a personagem nos conta sua história: através de 13 fitas cassetes gravadas, cada uma direcionada a uma pessoa que desempenhou de alguma forma um papel crucial no seu suicídio.   

Com uma narrativa lenta (são 13 episódios) e ao mesmo tempo intensa, aos poucos entendemos o envolvimento de cada um dos personagens que vêem na protagonista uma série de sentimentos despertados por sua personalidade. Sentimentos de amizade, amor, sexo, preconceito, entre outros, que a atingem de forma dramática, mas aos olhos de quem os pratica, toda essa sensação passa desapercebida. O elenco é cheio de novatos, com destaque para a estreante atriz australiana Katherine Langford, que interpreta Hannah Baker e Dylan Minnette, no papel de Clay Jensen, um estudante um pouco tímido, do ensino médio da Califórnia e que também se encontra envolvido no suicídio da personagem, mas por um prisma que desencadeará toda a narrativa e desfecho de "13 Reasons Why".

Em tempos de bullying, ciberbullying e discussões que nos levam a questionar o machismo e preconceito, a série nos coloca de forma perturbadora frente a uma adolescente incapaz de se defender de ataques cotidianos pautados em estupros, mentiras e outras questões sérias que permeiam não somente nossa adolescência, mas também a nossa sociedade.


Com os dois primeiros episódios dirigidos por Thomas McCarthy, de "Spotlight: Segredos Revelados", em menos de 24 horas a série já era um fenômeno de público na Netflix e a tag #NaoSejaUmPorque, baseada na questão de não ser o porquê da tristeza, da depressão ou até mesmo do suicídio de quem quer que seja, já se encontrava nos trending topics do Twitter. O mais interessante disso tudo é ver como a série trata de questões tão delicadas - solidão, abuso de álcool, ansiedade, suicídio, depressão e estupro - de maneira dura, clara e sem rodeios, caminhando totalmente na direção contrária ao que estamos acostumados a ver sobre o high school americano. O binge-watch é inevitável. Vale a pena assistir e levantar essa discussão. 

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